[Cotidiano] Dançar, Um Ato Reprimido Pela Sociedade

Dançar é bom. Deixar uma música tomar conta de seus movimentos, se perder na melodia, na batida e cantar ao mesmo tempo é um daqueles pequenos momentos felizes que fazem a vida valer a pena. Mas porque então somos reprimidos a não dançar?
Pense bem, você está num casamento e começa a tocar “Macho Man”. Sua vontade é barbarizar, dançar feito um doido e dar altas risadas. Mas porque você não faz isso? Por causa dos outros, você passaria vergonha, certo? Mesmo que você esteja com os córnios cheios de birita, a vergonha vem no dia seguinte.
Mas porque isso? Porque a sociedade nos priva dessa maravilha que é dançar?
Quem padroniza as danças? Pra parecer “legal” numa festa que toca música eletrônica, você tem que se ater ao famoso “passinho pra lá, passinho pra cá”, cabeça sacudindo e ombros dançando. Consequentemente, todos se atém à receita padrão.
Eu não sei quanto a você, mas diante de uma batida contagiante, minha vontade é dançar freneticamente, feito um doido, fazendo movimentos bobos, rindo até os pulmões sangrarem etc. Mas, contrariado, eu me atenho à dançinha correta, TUNTZ, TUNTZ, TUNTZ, TÉDIO!
Pare e pense, quem estabeleceu esse padrão? Quem foi o primeiro a dançar daquele jeito diante de música eletrônica, como esse estilo se propagou pelo mundo e, mais importante, porque as pessoas aderiram a ele com tanto fervor?
No meu tempo, aos 15, 16 anos, quando ia pras festas e tomava um porre, eu dançava do jeito que queria e me divertia feito um dos três patetas numa loja de tortas.
Mas talvez seja culpa da maldita procriação da espécie. Todos saímos pra festas em busca da parceira(o) que irá ajudar a perpetuar nossos genes (ou atrás de uma simples e louca fodelança casual), mesmo que digamos aos outros que saímos só pra dançar ou “ver gente”. Talvez, inconscientemente, todos os padrões de dança remetem à antigas danças de acasalamento que nossos ancestrais mais próximos dos símios faziam pra impressionar o sexo oposto.
Preste atenção, as fêmeas tendem a dançar remexendo o quadril e, ou, ressaltando os seios, demonstrando fertilidade e capacidade de nutrir uma cria. Enquanto os machos tensionam seus braços, querendo demonstrar força, balançando os ombros, estufam o peito para demonstrar confiança e poder e movem pouco os pés, mostrando que são irredutíveis, que mantéem o seu território, que não correm da briga.
Porém, quando estamos em casa, são e seguros em nossos quartos, tendemos a nos liberar dessa cobrança genética e dançamos soltos, entregues de verdade ao som da música. Por isso nos identificamos com cenas de dança “espalhafatosas” em filmes, pois vemos uma pessoa se liberando, mostrando o dedo do meio ao futuro da espécie e à sua bagagem evolutiva.
No fundo, é isso que todos gostaríamos de fazer (ou não).
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